“Não levantar falso testemunho”: não é este o oitavo mandamento? Em outras palavras: não se deve mentir, inventar coisas, adulterar a verdade, falsear a vida.
Como isso é comum na vida cristã! As pessoas se desculpam, dizendo: foi só uma mentirinha. Pode ser, mas, no fundo, nós enganamos aos outros. O pior é que enganamos a nós mesmos, falsificamos nossa pessoa. Jesus disse: “Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno.” (Mateus 5,37).
É certo que nem tudo o que dizemos ou fazemos de errado tem consequências graves: cada caso é um caso. Mas... isso não significa que nossas mentiras, mesmo pequenas, não tenham importância. Desde que alguma coisa dita ou feita ofende a Deus, isso deveria bastar para nos negarmos a dizê-la ou fazê-la. Afinal, ofender a Deus é sempre ofender a Deus, seja de forma leve ou grave. O mesmo deve ser dito em relação aos a qualquer pessoa.
O pior é quando passamos da mentira para a calúnia, para a difamação de alguém. Fazemos isso, ou porque temos a mania de falar mal da vida alheia, ou, mais grave ainda, porque temos explícita intenção de prejudicar alguém. Nesse caso, não basta o arrependimento, é preciso restabelecer a verdade, restituir a boa fama de quem foi prejudicado. Trata-se de autêntica injustiça, de uma espécie de roubo: nesse caso, o perdão só vem com a restituição do que se roubou, isto é, com o restabelecimento da verdade, da boa fama da pessoa prejudicada.
Medite um pouco as palavras de São Pedro: “Pela obediência à verdade, vos purificastes, para praticar um amor fraterno sem fingimento. Amai-vos, pois, uns aos outros, de coração e com ardor... Portanto, despojai-vos de toda maldade, de toda mentira, hipocrisia e inveja, e de toda calúnia.” (1 Pedro 1,22; 2,1).
Repare bem: “Obediência à verdade”. Todos devemos “obedecer à verdade”, isto é, não mentir, não enganar os outros, não prejudicar ninguém, do contrário, como se pode dizer que amamos os irmãos? Se não amamos os irmãos, também nosso amor a Deus não é verdadeiro. A nossa pessoa inteira deve procurar ser verdadeira.
Assim, pois, a pessoa se torna pura, limpa, transparente, na medida em que obedece à verdade. A verdade é maior do que nós, porque ela se confunde com Deus. Ele é a verdade. Jesus Cristo disse: “Eu sou a Verdade.” (João 14,6).
Mentir é ir contra a Verdade, que é Deus. O que resulta disso? Que nos manchamos, nos corrompemos, falseamos a nós mesmos. Pode tratar-se de coisas pequenas. Um grãozinho de pó também é coisa miúda, pequenina, pode ser até microscópica... mas quando os grãzinhos de pó viram poeira, quanta sujeira!
De mentirinha em mentirinha acabamos nos tornando mentirosos, falsos, pessoas em quem não dá para confiar. E como os outros se dão conta disso! De uma pessoa falsa é possível esperar que ame “de coração”, como diz São Pedro, com amor realmente fraterno, autêntico? Claro que não!
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Próxima postagem: dia 29 de janeiro, domingo
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