
O Batismo nos purifica de todo pecado. Todavia, permanece em nós a chamada “concupiscência”, ou seja, certa inclinação ao mal, que poderíamos comparar com uma espécie de cicatriz que o pecado original, apesar de eliminado pelo Batismo, deixa em nós. É por isso que ao longo da vida nós nos sentimos atraídos pelo mal e, às vezes, cedemos, pecando.
Chamamos de tentações as provocações ao pecado que brotam da nossa concupiscência. Nem sempre é o Diabo que nos tenta, somos nós mesmos que, às vezes, facilitamos e brincamos com essa inclinação ao mal que reside
O capítulo segundo da segunda carta de São Pedro é um capítulo forte: fala do juízo de Deus para os que seguem pelo mau caminho.
Pedro lembra alguns fatos da Bíblia, como o dilúvio, o castigo de Sodoma e Gomorra, episódios que mostram como Deus julga e castiga os que procedem mal, ao passo que ampara os que fazem o bem, acolhe-os e recompensa.
É o tema do juízo de Deus, do julgamento de Deus, ao qual todos serão submetidos. “É que o Senhor - diz São Pedro - sabe livrar os homens piedosos da provação e separar os malvados, para castigá-los no dia do juízo, especialmente os que, levados por suas paixões impuras, seguem as vias da carne e desprezam o senhorio.” (2 Pedro 2,9-10). “Senhorio” quer dizer “a autoridade do Senhor”.
Pedro lembra que fomos salvos do mal pela morte e ressurreição de Jesus; que, pelo Batismo, nós também morremos para o pecado e para o mal; que pela ressurreição, renascemos para o bem e para a vida eterna. Sendo assim, permaneçamos no bom caminho.
São Pedro compara os batizados que depois voltam ao pecado e, sobretudo, os que vivem na impureza, na luxúria, aos animais imundos, citando dois provérbios de seu tempo: “O cão voltou para seu vômito, e a porca lavada torna a revolver-se na lama.” (2 Pedro 2,22). Coisa horrorosa!
Lembre-se do que ensina São Paulo: “Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade.” (1 Tessalonicenses 4,7).
Sim, fique atento e não se desculpe acusando os outros, nem mesmo o Diabo, menos ainda Deus!
Diante de qualquer coisa que acontece de ruim, algumas pessoas dizem que é tentação do Diabo. A tentação existe, mas também não é tão simples dizer que tudo vem do Diabo.
Pior ainda é existirem pessoas que dizem que é Deus que as tenta. Só faltava essa! Ouçamos São Tiago: “Ninguém, ao ser tentado, deve dizer: “É Deus que me tenta”, pois Deus não pode ser tentado pelo mal e tampouco tenta alguém. Antes, cada qual é tentado por sua própria concupiscência, que o arrasta e seduz. Em seguida, a concupiscência concebe o pecado e o dá à luz; e o pecado, uma vez maduro, gera a morte.” (Tiago 1,13-15).
Quem nos tenta, na maioria das vezes, somos nós mesmos. A concupiscência, isto é, o desejo desordenado enraizado dentro de nós; em geral, é ela que nos tenta, não o Diabo.
Como disse acima, apesar de termos recebido o Batismo e de, pelo Batismo, ter sido apagado em nós o pecado original, fica em nós a chamada concupiscência, que é fraqueza, tendência, convite a pecar de novo. É a marca do pecado
Por isso, deixemos o Diabo
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Próxima postagem: dia 23 de janeiro, segunda-feira.
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