sábado, 31 de dezembro de 2011

ANO NOVO: "COM MINHA MÃE ESTAREI"






Começa um novo ano. Começa com Maria, a Mãe de Deus. Ela é toda de Deus, toda de Jesus, toda nossa. Mãe de Deus, nossa Mãe. Modelo da Igreja, Mãe da Igreja: assim é Maria.




Do alto da cruz, Jesus dá a última lição de Evangelho à sua Mãe. E Maria compreende que nesse instante começa sua missão. Ela, a primeira a ser salva pelo seu próprio Filho, é também a primeira a ser sua discípula. Maria é a primeira cristã, o modelo de todo aquele que segue a Cristo.




Os crentes de todos os tempos e lugares olharão para Maria como o Evangelho escrito em carne e sangue. Ninguém como Ela cumpriu as palavras e os mandamentos de Jesus. Ninguém como Ela seguiu Jesus - Caminho, Verdade Vida. Ninguém como Ela testemunhou Jesus. Maria é o modelo do cristão, modelo da comunidade cristã, modelo da Igreja.




Consciente dessa posição e da missão maternal que assumiu na morte de Jesus, Maria se põe à frente dos discípulos de Cristo recolhidos no Cenáculo. Lá, com eles, ora ao Pai, pede a seu Filho o dom do Espírito Santo prometido a todos os seguidores de Je­sus.




Sua maternidade começa pela fé, pela abertura a Deus, a fim de que seu Filho seja gerado nos corações dos discípulos por obra do Espírito Santo, como outrora Ela mesma o trouxe em seu seio. Ser Mãe dos cristãos era ser Mãe na ordem da fé, da salva­ção, da vida divina.




Maria, que gerou Cristo, devia gerar também todos os irmãos e irmãs de Cristo; toda a família de Cristo, a Igreja. No Pentecostes é que nasce a Igreja. No Cenáculo, "todos eles perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres – entre elas, Maria, Mãe de Jesus" (Atos dos Apóstolos 1,14). A oração de Maria, sua fé, sua atenção a Deus foram por certo cha­mariz do Espírito para todos.




A missão maternal de Maria tomou dimensões bem mais pro­fundas e universais no momento em que ela também, como seu Filho, entrou definitivamente para aquela esfera de vida que é a ressurreição. A plenitude de vida que a ressurreição lhe conferiu fez de Maria a Mãe e a Rainha do universo, particularmente da Igreja.




Conferiu-lhe ainda a possibilidade inacreditável de estar pre­sente junto a nós em todos os tempos e lugares. De caminhar co­nosco em qualquer estrada. De acudir a qualquer chamado. De socorrer em qualquer apuro.




É na Assunção ao céu em corpo e alma que Maria pode final­mente desdobrar a sua maternidade para conosco. É nessas bodas eternas que Maria, Mãe atenciosa, se desfaz em cuidados para que a ninguém falte a alegria da salvação.




Liberada das condições do tempo e do espaço, Nossa Senhora está no meio de nós. Ela nos conhece, nos ama, vela por nós, pre­ocupa-se conosco, ora por nós, ampara-nos, defende-nos. E nós olhamos para ela como nosso modelo evangélico de cristãos e de Igreja. Recorremos confiantemente a ela como nosso Auxílio e nossa Mãe.




No início de um novo ano, vamos a Maria, pedindo-lhe que acompanhe os nossos passos em cada dia deste novo tempo que Deus nos concede.




Maria é chamada “causa da nossa alegria”. Desde agora me alegro ao pensar – assim espero! – que com minha Mãe estarei na santa glória, um dia.







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2012




FELIZ ANO NOVO, COM MARIA,




SEMPRE CAMINHANDO COM JESUS:




ELE É O CAMINHO!







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Próxima postagem: dia 6 de janeiro, sábado.




sábado, 24 de dezembro de 2011

VAMOS TODOS A BELÉM



"Tu, Belém de Éfrata, pequenina entre as aldeias de Judá, de ti é que sairá para mim Aquele que há de ser o governante de Israel" (Miquéias 5,1).





Quem poderia imaginar que César Augusto, tantos séculos depois do profeta Miquéias, seria aquele que daria oportunidade para o Príncipe de Israel nascer em Belém? E por um motivo tão fútil como um recenseamento?





Assim é que, obedecendo aos homens (César) e a Deus (profecia de Miquéias), Maria entra em Belém. Ela está grávida. Enquanto José bate às portas da cidade, sem encontrar quem lhas abra, Jesus bate às portas do mundo em que vai entrar ao sair do seio de Maria.





Que mistérios! Quais terão sido os sentimentos de Maria na sucessão de coisas tão estranhas? Uma viagem na iminência da maternidade. Dar à luz num estábulo. Deitar sua criatura numa manjedoura, exatamente o oposto do que uma mãe espera numa hora como essa. Só porque um imperador decidiu contar seus sú­ditos...





Que sentimentos confusos! Ao mesmo tempo, que obediên­cia! Que paz! Que serena alegria ao ver, finalmente, o Filho, ao contemplá-lo, acariciá-lo, beijá-lo!





Belém é terra de mistérios, encruzilhada de sentimentos con­trastantes. É lugar de luz e alegria. Na escuridão da noite nasce o príncipe da luz. Na hora do sofrimento de Maria e de José, os anjos anunciam alegria para o mundo inteiro. Na pobreza de uma crian­cinha mal abrigada esconde-se o Filho do Deus onipotente. E Maria? Imagem terrena do Pai eterno, ela embala o Filho, que é dela no tempo, e é dEle na eternidade, sob o olhar complacente de José. Que podiam entender os homens?





Que homens, se tudo se passou no silêncio, às escondidas? Prestemos, porém, atenção: ouvem-se vozes e passos. São os pastores que dizem entre si: "Vamos a Belém para ver o que aconteceu, segundo o Senhor nos comunicou" (Lucas 2,15).





Depois do medo e do susto, a curiosidade e a pressa. Trope­çando, correndo. Sim, correi pastores, gente simples, pobre, igno­rante. É a vos que, antes de todos, está reservado conhecer o misté­rio de Belém. Será de vossos lábios que partirá para o resto do mundo o anúncio de que um menino nasceu, que está deitado numa manjedoura, envolto em panos, entre animais. A vós caberá anun­ciar a luz dessa noite. A vós tocará o privilégio de conhecer um pouco do mistério de Jesus, do mistério de Maria e de José, por­que Belém é um mosaico onde se confundem as cores de mú1tiplos acontecimentos e mistérios.





Nós também ficamos atônitos e, em silêncio, contemplamos Maria, José e Jesus. Eles nada dizem. Porque Belém é para se contemplar, meditar e guardar no coração; como Maria, que "guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração" (Lucas 2,19).





Com os pastores, vamos até Belém e vejamos o que aconte­ceu. Não digamos nada. Procuremos olhar, compreender, meditar, orar, agradecer. Para que aprendamos a amar: amar por amar; amar a pobreza, o silêncio, a humildade, a virgindade, a obediência, a pequenez, a paz, a alegria, a luz.





Vamos a Belém. Entremos na gruta. É a escola do mundo! Que fizemos das lições que aí nos foram dadas? É sempre tempo de voltar a Belém!





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* Cfr. HILÁRIO MOSER, Caminhando com Maria, 4ª edição, Editora Salesiana, São Paulo, 2010, pp.





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Próxima postagem: dia 30 de dezembro, sábado.






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A TODOS OS LEITORES DESTE BLOG





DESEJO UM SANTO NATAL.





QUE O FILHO DE DEUS FEITO CRIANÇA





SEJA PORTADOR DE PAZ, ALEGRIA E ESPERANÇA.





FELIZ NATAL!





segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A "PORTA" DE UM MUNDO NOVO*






É Maria essa Porta; Maria, virgem e mãe!




A primeira palavra que o evangelista São Lucas usa para se referir a Nossa Senhora é esta: Maria era “uma virgem” (Lucas 1,27).




Ser virgem! Naquele tempo – como hoje –, ser virgem era coisa absurda! Qual mulher israelita pensaria em conservar-se virgem? Não pertencer a um homem, não ter filhos era sinal de ignomínia. Isabel, prima de Maria, quando finalmente concebeu um filho, suspirou agradecida: “Assim o Senhor fez comigo nestes dias: Ele dignou-se tirar a vergonha que pesava sobre mim” (Lucas 1,25).




O arcanjo Gabriel, enviado havia poucos meses, seis exatamente, para dizer a Isabel, mulher estéril e idosa, que haveria de tornar-se mãe, agora é mandado à procura de uma virgem para anunciar-lhe que, permanecendo virgem, também seria mãe. Quem pode compreender? Quem vai acreditar? Até mesmo o anjo de Deus, talvez, se tenha perturbado e questionado. Não havia em Israel mulheres fecundas e casadas? No entanto, Deus parece brincar com a vida, fazendo com que uma estéril e uma virgem tenham filhos? Que mistérios são esses? Estaremos no limiar de um mundo estranho? Ou, quem sabe..., no início de um mundo novo?




Há, porém, ainda uma questão que perturba. Maria, sim, é virgem; entretanto, São Lucas diz que ela estava “prometida em casamento a um homem” (Lucas 1,27). Como compreender esses extremos: ser virgem, com a promessa de ser mãe sem perder a virgindade; ao mesmo tempo, unir-se em matrimônio com um homem?




Esse era o costume do tempo: para os judeus, entre o casamento (que consistia no contrato nupcial) e a coabitação corria um dilatado espaço de tempo. O casamento, porém, era um fato concreto desde o momento do contrato. Dessa forma, Maria era verdadeira esposa porque casada segundo núpcias humanas; mas era virgem, quer porque ainda não convivia com José, quer porque Deus lhe prometia permanecer virgem sendo mãe.




Há também quem se pergunta se, por acaso, o coração de Maria não guardava sob sete chaves o desejo – que só Deus poderia inspirar – de permanecer virgem para sempre, apesar do casamento com José e com o consentimento do esposo. Seria coisa única em Israel! Todavia, para Deus, nada é impossível.




Ou tudo se resumiria a uma conveniência de ordem social: Maria, seria casada para que, ao conceber por obra do Espírito Santo, as pessoas não a julgassem mal; e permaneceria virgem, para que Deus se servisse dela a fim de dar a um mundo novo? Seria assim?




Seja como for, Deus gosta de driblar os critérios humanos. Ele escolheu uma virgem desposada! Sim: parece contradição; sem dúvida, é mistério; de qualquer forma, novidade. Deus vai fazer um mundo diferente. Para essa missão solicitou o consentimento de Nossa Senhora. Ela haveria de ser a “porta” do mundo novo.




Lemos no Evangelho, retomando palavras do profeta Isaías: “Eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus-conosco” (Mateus 1,23).




Deus, que do nada tirou o mundo, da virgindade de Maria fez brotar o Salvador do mundo. Por que do meu nada não poderia criar um novo homem, uma nova mulher? “Pois para Deus nada é impossível” (Lucas 1,37). O que falta, então, da minha parte? Só me tornando eu mesmo um homem novo, uma mulher nova, é que poderei ajudar a criar um mundo novo.




O tempo do Advento é tempo de novidades divinas: o Filho de Deus se faz homem, uma virgem concebe e dá à luz...




Entre você também nessa “onda” de novidades! Mude sua vida: Deus vem ao seu encontro! Ele é Deus-conosco!




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* Cfr. HILÁRIO MOSER, Caminhando com Maria, 4ª edição, Editora Salesiana, São Paulo, 2010, pp. 9-11 (com alguma adaptação).




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Próxima postagem: dia 24 de dezembro, sábado.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O PLANETA EM QUE O FILHO DE DEUS VEIO MORAR






O planeta Terra, do tamanho de um grãozinho de areia, se comparado com outros planetas e astros, foi escolhido pelo Filho de Deus para nele se tornar Homem. Ainda não sabemos exatamente se há vida em outros planetas e, havendo, se neles vivem seres como nós. Suponhamos que sim: assim mesmo, ignoramos a condição desses seres em relação a Deus e de Deus em relação a eles. Nós, porém, do planeta Terra, temos uma certeza: um dia, o Filho de Deus quis estabelecer sua morada aqui e se fez um de nós. Não é de causar inveja ao universo inteiro?




A Bíblia conta de forma quase infantil de que maneira Deus criou o ser humano: Ele fez um boneco de barro, depois soprou nas suas narinas o espírito de vida, e ele se tornou um ser vivente. Quando o homem e a mulher, pelo primeiro pecado, voltaram-se contra o Criador, Deus disse a Adão: “Tu és pó e ao pó hás de voltar” (Gênesis 3,19). A Igreja repete a cada um de nós essas mesmas palavras na Quarta-Feira de Cinzas: “Lembra-te de que és pó”. É o mesmo que dizer: “Lembra-te que és feito de barro”.




Sim, somos feitos de terra e a terra faz parte de nós. É dela que tiramos os elementos que alimentam nosso corpo: minerais, vegetais, animais. Respiramos o ar que a envolve, bebemos da água que brota de suas fontes, usamos do fogo que lhe consome as entranhas. A terra faz parte de nós, nós fazemos parte da terra. Temos nossas raízes encravadas na terra; arrancados dela, secamos como plantas e morremos.




Referindo-se ao ser humano, a Bíblia usa outra comparação que nos recorda que somos feitos de barro: assim como o oleiro toma em suas mãos um bloco de barro e, aos poucos, vai dando a ele a forma desejada, assim somos nós nas mãos de Deus (Cfr. Jeremias 18,1-6). Apesar da fragilidade daquilo de que somos feitos, anima-nos um espírito imortal que nos torna semelhantes a Deus (Cfr. Gênesis 1,26). Por isso, não sem razão o salmista canta: “Fizeste o ser humano pouco menor do que um deus” (Salmo 8,6). Somos de barro, mas somos semelhantes a Deus!




O barro de que somos formados encontrou sua mais sublime exaltação no dia em que o Filho de Deus quis tornar-se semelhante a nós: Ele mesmo revestiu-se “de barro” e, dessa forma, dignificou o planeta Terra como jamais seria possível imaginar. “O Verbo se fez carne e veio habitar conosco” (João 14).




O seio de Maria, a gruta de Belém, a humilde casa de Nazaré acolheram o Filho de Deus. Seus pés pisaram o nosso chão, seus olhos contemplaram a luz do nosso dia e as belezas do nosso mundo, suas mãos se aplicaram ao trabalho humilde dos pobres; alimentou-se dos produtos da nossa terra, bebeu da água das nossas fontes; palmilhou os nossos caminhos, mergulhou na corrente das águas do Jordão, tropeçou nas pedras do deserto; a terra foi banhada pelo suor de sua fronte, sustentou o peso da sua cruz, bebeu o sangue de seu corpo e acolheu o grande Mártir no sepulcro do Gólgota; a terra tremeu quando Ele ressuscitou e, por fim, assistiu a seu retorno para a casa do Pai. Ele, porém, continua neste planeta: a terra produz o trigo e a uva de que são feitos o pão e o vinho que, por obra do Espírito Santo, se tornam o Corpo e Sangue de Jesus na Eucaristia. O Filho de Deus, para sempre, será também filho deste nosso planeta.




Todos os anos, no Natal, recordamos o acontecimento inaudito do Filho de Deus que se faz, como nós, habitante do planeta Terra. Quando Ele veio, veio para ficar! Ele mesmo nos garantiu: “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mateus 28,20). É em sua companhia que aguardamos “um novo céu e uma nova terra”, profetizados por Isaías (Cfr. Isaías 65,17) e por João no Apocalipse (Apocalipse 21,1).




Com razão, no Advento, rezamos e cantamos: “Vem, Senhor, vem nos salvar, com teu povo, vem caminhar!”. É a mesma invocação que encerra o livro do Apocalipse (22,20) e que os primeiros cristãos repetiam com fervor: “Vem, Senhor Jesus!”




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Próxima postagem: dia 19 de dezembro, segunda-veira.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

MARIA, O MELHOR ADVENTO






Durante o Advento, sempre no dia 8 de dezembro, celebra-se a festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.




Ninguém melhor do que Maria, a Mãe de Jesus, se preparou para acolher o Filho de Deus. Quando, na companhia de José, caminhou para Belém, ela já tinha consigo Jesus havia nove meses... Não agora, prestes a dá-Lo à luz, que ela começaria a se dispor para acolhê-Lo. Desde cedo, sua atenção à Palavra de Deus tinha preparado seu coração para se tornar a Mãe do Senhor. Desde cedo, também, Maria aprendeu a responder à Palavra de Deus por meio da oração. A oração, por sua vez, fez-lhe compreender que, sem a disponibilidade ao serviço dos irmãos, a vida tem pouco sentido.




Ora, são precisamente essas as condições para que Deus habite no coração de Maria bem antes do momento em que ela se torna a Mãe de Deus por concebê-lo em seu seio. São essas igualmente as condições para que qualquer ser humano se torne, de certa forma, como ensina o Concílio Vaticano II, “Mãe” do Senhor. Não é sem motivo que o próprio Jesus afirma a respeito de sua Mãe que ela é mais feliz por ouvir e praticar a Palavra de Deus do que por tê-Lo gerado na carne: “Quem faz a vontade do meu Pai que me enviou, este é meu irmão, irmã e mãe” (Mateus 12,49-50).




Santo Agostinho faz eco a essas palavras de Jesus, dizendo: “Maria fez totalmente a vontade do Pai e por isto mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que mãe de Cristo; maior felicidade gozou em ser discípula do que mãe de Cristo. Assim, Maria era feliz porque, já antes de dar à luz o Messias, trazia-o na mente” (Sermão 25).




Meu amigo/a, não se admire diante dessas afirmações. Elas estão perfeitamente de acordo com os ensinamentos da Igreja. Pelo contrário, neste Advento, procure colher as lições que Maria lhe oferece. Ela é o modelo do Advento, melhor, ela é o próprio Advento, porque é nela que o Filho de Deus se tornou nosso irmão, e ninguém melhor do que ela o esperou, acolheu em seu coração e depois em seus braços.




A Igreja propõe Maria como modelo para os discípulos/as de Jesus. De fato, como foi dito acima com Santo Agostinho, que ela, antes de se tornar Mãe de Jesus, já era sua discípula porque vivia de acordo com a Palavra que seu Filho haveria de anunciar. Maria é também modelo da Igreja pelo fato de não haver ninguém mais unida a Jesus do que ela. Além disso, quem, mais do que Maria, participou da vida da Igreja nascente, Igreja que é o “corpo místico” de seu próprio Filho? E não é este o motivo pelo qual Jesus Ressuscitado a quis glorificar em corpo e alma afim de que estivesse unida a Ele para sempre?




Todas essas razões devem convencer-nos a olhar para Maria: ela é a Mulher da Palavra e do serviço, a Mulher da união com Jesus e com a Igreja. Se Jesus é o Caminho, Maria nos conduz a Ele; se Jesus é a Verdade, Maria é mestra do Evangelho; se Jesus é a Vida, Maria é a Mãe da Vida.




Tudo isso é muito bonito, mas deve ser traduzido em vida concreta por nós que nos alegramos de ser irmãos/ãs de Jesus e filhos/as de Maria. Palavra de Deus, união com Jesus e com a Igreja, serviço aos irmãos/ãs... tudo isso é coisa prática que, das páginas do Evangelho, deve passar às “páginas” da minha vida, diariamente.




O Advento é isso. Da mesma forma que o Filho de Deus habitou em Maria, que Ele venha habitar em nós porque nos esforçamos por praticar sua Palavra e imitar sua doação dos irmãos. É assim que o Filho de Deus “nasce” em nosso coração. Portanto, em primeiro lugar, a fé, resposta à Palavra de Deus, que opera por meio da caridade, do amor fraterno, da solidariedade, da união, da unidade... Isso tudo é Advento, isso tudo provoca a “vinda” (advento) do Filho de Deus ao nosso coração.




Advento: com Maria e como Maria, ao encontro de Jesus.







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Próxima postagem: dia 13, terça-feira.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

COMO O TEMPO PASSA DEPRESSA!










Pelo menos alguma vez na vida todo mundo ficou pensativo e disse: “É, o tempo passa depressa”. Mais que passar, ele voa. Os romanos diziam: “O tempo foge de forma irreparável” (Fugit irreparabile tempus). Traduzindo em miúdos: o tempo passa e não volta mais.






Costumamos dividir o tempo em três partes: passado, presente e futuro. Ocorre que o passado já foi e o futuro ainda não veio. O que sobra? Sobra o momento presente, que é menos do que um momento e, por isso, não dá para medir: ele foge, e já é passado.






Parece incrível, mas a nossa vida é feita desses “momentos” imperceptíveis. Os relógios e outros instrumentos de medição tentam captá-los, mas é pura ilusão. O tempo, de fato, foge irreparavelmente.






Deixemos que os filósofos discutam sobre o que é o tempo. Também os cientistas se ocupam disso. Nós, discípulos/as de Jesus, olhamos o tempo com outros olhos, os olhos da fé: isso é o que nos importa.






Sabemos que para os antigos pagãos o tempo correspondia a ciclos – a círculos – que se repetiam sem cessar: o que já foi, um dia será novamente, ensinavam; os pagãos de hoje também pensam mais ou menos assim.






Santo Agostinho, comentando esse modo de pensar, afirma de maneira estupenda: pela ressurreição de Cristo, “esses círculos explodiram”. Ou seja, Cristo libertou os seres humanos, que eram reféns de um tempo repetitivo e, portanto, se sentiam dominados pelo destino. Jesus ressuscitado nos insere num tempo evolutivo que, partindo de Deus, nos leva para Deus.






O destino não existe, o tempo não é repetitivo. O tempo é o “espaço” em que nós, discípulos/as de Jesus, ao segui-lo, colocamos nossos pés nas suas pegadas e vamos a caminho do Pai. Percorremos, assim, o mesmo caminho de Jesus, que disse: “Saí do Pai e vim ao mundo; agora deixo o mundo e volto para o Pai” (João 16,28).






Assim, o “tempo” da nossa vida escorre entre duas eternidades. Não no sentido de que nós sejamos eternos, como Deus o é, mas no sentido de que a nossa vida é obra do Deus eterno, e o nosso destino consiste em participar, na medida das nossas capacidades limitadas, da eternidade de Deus para sempre.






Portanto, para compreender com exatidão o que é o tempo para nós é preciso que levantemos outra questão: qual é o sentido da nossa existência? Não teria sentido Deus criar seres semelhantes a ele para viverem sem sentido. Em outras palavras, o tempo é a “ferramenta” para construir a minha existência de acordo com os planos dAquele que me deu a existência.






Sendo assim, cada partícula do tempo pode – deve! – ser um “tijolinho” acrescentado à minha construção. Essa construção tem como alicerce nada menos do que Aquele que, sendo eterno, veio morar no tempo e nos ensinou a usá-lo para a glória do Pai e o bem dos irmãos e irmãs.






Por isso, perder tempo, gastá-lo em futilidades, pior ainda, em fazer o mal, é realmente caminhar na contramão: a trombada é certa! Ao passo que fazer o bem, por mínimo que seja, será um “tijolinho” a mais na construção do edifício da minha vida e, portanto, na casa da felicidade eterna. Cumprir, com Jesus, a vontade do Pai, este é para nós, discípulos e discípulas do Senhor, o sentido da nossa existência e o melhor emprego do tempo.






Cada ano nós medimos o tempo da nossa vida, fazendo festa. Com razão, porque a vida é um dom; o tempo é um dom. Temos, pois, motivos de alegria e de gratidão ao Pai de todos os dons. Sem dúvida, também temos que pedir perdão por termos usado mal o tempo ou por tê-lo perdido em futilidades. Por fim, que Ele nos conceda mais tempo; particularmente, nos conceda usar bem do tempo, para sua glória e para a nossa felicidade.



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Próxima postagem: dia 7 de dezembro, quarta-feira.