segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A "PORTA" DE UM MUNDO NOVO*






É Maria essa Porta; Maria, virgem e mãe!




A primeira palavra que o evangelista São Lucas usa para se referir a Nossa Senhora é esta: Maria era “uma virgem” (Lucas 1,27).




Ser virgem! Naquele tempo – como hoje –, ser virgem era coisa absurda! Qual mulher israelita pensaria em conservar-se virgem? Não pertencer a um homem, não ter filhos era sinal de ignomínia. Isabel, prima de Maria, quando finalmente concebeu um filho, suspirou agradecida: “Assim o Senhor fez comigo nestes dias: Ele dignou-se tirar a vergonha que pesava sobre mim” (Lucas 1,25).




O arcanjo Gabriel, enviado havia poucos meses, seis exatamente, para dizer a Isabel, mulher estéril e idosa, que haveria de tornar-se mãe, agora é mandado à procura de uma virgem para anunciar-lhe que, permanecendo virgem, também seria mãe. Quem pode compreender? Quem vai acreditar? Até mesmo o anjo de Deus, talvez, se tenha perturbado e questionado. Não havia em Israel mulheres fecundas e casadas? No entanto, Deus parece brincar com a vida, fazendo com que uma estéril e uma virgem tenham filhos? Que mistérios são esses? Estaremos no limiar de um mundo estranho? Ou, quem sabe..., no início de um mundo novo?




Há, porém, ainda uma questão que perturba. Maria, sim, é virgem; entretanto, São Lucas diz que ela estava “prometida em casamento a um homem” (Lucas 1,27). Como compreender esses extremos: ser virgem, com a promessa de ser mãe sem perder a virgindade; ao mesmo tempo, unir-se em matrimônio com um homem?




Esse era o costume do tempo: para os judeus, entre o casamento (que consistia no contrato nupcial) e a coabitação corria um dilatado espaço de tempo. O casamento, porém, era um fato concreto desde o momento do contrato. Dessa forma, Maria era verdadeira esposa porque casada segundo núpcias humanas; mas era virgem, quer porque ainda não convivia com José, quer porque Deus lhe prometia permanecer virgem sendo mãe.




Há também quem se pergunta se, por acaso, o coração de Maria não guardava sob sete chaves o desejo – que só Deus poderia inspirar – de permanecer virgem para sempre, apesar do casamento com José e com o consentimento do esposo. Seria coisa única em Israel! Todavia, para Deus, nada é impossível.




Ou tudo se resumiria a uma conveniência de ordem social: Maria, seria casada para que, ao conceber por obra do Espírito Santo, as pessoas não a julgassem mal; e permaneceria virgem, para que Deus se servisse dela a fim de dar a um mundo novo? Seria assim?




Seja como for, Deus gosta de driblar os critérios humanos. Ele escolheu uma virgem desposada! Sim: parece contradição; sem dúvida, é mistério; de qualquer forma, novidade. Deus vai fazer um mundo diferente. Para essa missão solicitou o consentimento de Nossa Senhora. Ela haveria de ser a “porta” do mundo novo.




Lemos no Evangelho, retomando palavras do profeta Isaías: “Eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus-conosco” (Mateus 1,23).




Deus, que do nada tirou o mundo, da virgindade de Maria fez brotar o Salvador do mundo. Por que do meu nada não poderia criar um novo homem, uma nova mulher? “Pois para Deus nada é impossível” (Lucas 1,37). O que falta, então, da minha parte? Só me tornando eu mesmo um homem novo, uma mulher nova, é que poderei ajudar a criar um mundo novo.




O tempo do Advento é tempo de novidades divinas: o Filho de Deus se faz homem, uma virgem concebe e dá à luz...




Entre você também nessa “onda” de novidades! Mude sua vida: Deus vem ao seu encontro! Ele é Deus-conosco!




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* Cfr. HILÁRIO MOSER, Caminhando com Maria, 4ª edição, Editora Salesiana, São Paulo, 2010, pp. 9-11 (com alguma adaptação).




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Próxima postagem: dia 24 de dezembro, sábado.

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