terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O PLANETA EM QUE O FILHO DE DEUS VEIO MORAR






O planeta Terra, do tamanho de um grãozinho de areia, se comparado com outros planetas e astros, foi escolhido pelo Filho de Deus para nele se tornar Homem. Ainda não sabemos exatamente se há vida em outros planetas e, havendo, se neles vivem seres como nós. Suponhamos que sim: assim mesmo, ignoramos a condição desses seres em relação a Deus e de Deus em relação a eles. Nós, porém, do planeta Terra, temos uma certeza: um dia, o Filho de Deus quis estabelecer sua morada aqui e se fez um de nós. Não é de causar inveja ao universo inteiro?




A Bíblia conta de forma quase infantil de que maneira Deus criou o ser humano: Ele fez um boneco de barro, depois soprou nas suas narinas o espírito de vida, e ele se tornou um ser vivente. Quando o homem e a mulher, pelo primeiro pecado, voltaram-se contra o Criador, Deus disse a Adão: “Tu és pó e ao pó hás de voltar” (Gênesis 3,19). A Igreja repete a cada um de nós essas mesmas palavras na Quarta-Feira de Cinzas: “Lembra-te de que és pó”. É o mesmo que dizer: “Lembra-te que és feito de barro”.




Sim, somos feitos de terra e a terra faz parte de nós. É dela que tiramos os elementos que alimentam nosso corpo: minerais, vegetais, animais. Respiramos o ar que a envolve, bebemos da água que brota de suas fontes, usamos do fogo que lhe consome as entranhas. A terra faz parte de nós, nós fazemos parte da terra. Temos nossas raízes encravadas na terra; arrancados dela, secamos como plantas e morremos.




Referindo-se ao ser humano, a Bíblia usa outra comparação que nos recorda que somos feitos de barro: assim como o oleiro toma em suas mãos um bloco de barro e, aos poucos, vai dando a ele a forma desejada, assim somos nós nas mãos de Deus (Cfr. Jeremias 18,1-6). Apesar da fragilidade daquilo de que somos feitos, anima-nos um espírito imortal que nos torna semelhantes a Deus (Cfr. Gênesis 1,26). Por isso, não sem razão o salmista canta: “Fizeste o ser humano pouco menor do que um deus” (Salmo 8,6). Somos de barro, mas somos semelhantes a Deus!




O barro de que somos formados encontrou sua mais sublime exaltação no dia em que o Filho de Deus quis tornar-se semelhante a nós: Ele mesmo revestiu-se “de barro” e, dessa forma, dignificou o planeta Terra como jamais seria possível imaginar. “O Verbo se fez carne e veio habitar conosco” (João 14).




O seio de Maria, a gruta de Belém, a humilde casa de Nazaré acolheram o Filho de Deus. Seus pés pisaram o nosso chão, seus olhos contemplaram a luz do nosso dia e as belezas do nosso mundo, suas mãos se aplicaram ao trabalho humilde dos pobres; alimentou-se dos produtos da nossa terra, bebeu da água das nossas fontes; palmilhou os nossos caminhos, mergulhou na corrente das águas do Jordão, tropeçou nas pedras do deserto; a terra foi banhada pelo suor de sua fronte, sustentou o peso da sua cruz, bebeu o sangue de seu corpo e acolheu o grande Mártir no sepulcro do Gólgota; a terra tremeu quando Ele ressuscitou e, por fim, assistiu a seu retorno para a casa do Pai. Ele, porém, continua neste planeta: a terra produz o trigo e a uva de que são feitos o pão e o vinho que, por obra do Espírito Santo, se tornam o Corpo e Sangue de Jesus na Eucaristia. O Filho de Deus, para sempre, será também filho deste nosso planeta.




Todos os anos, no Natal, recordamos o acontecimento inaudito do Filho de Deus que se faz, como nós, habitante do planeta Terra. Quando Ele veio, veio para ficar! Ele mesmo nos garantiu: “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mateus 28,20). É em sua companhia que aguardamos “um novo céu e uma nova terra”, profetizados por Isaías (Cfr. Isaías 65,17) e por João no Apocalipse (Apocalipse 21,1).




Com razão, no Advento, rezamos e cantamos: “Vem, Senhor, vem nos salvar, com teu povo, vem caminhar!”. É a mesma invocação que encerra o livro do Apocalipse (22,20) e que os primeiros cristãos repetiam com fervor: “Vem, Senhor Jesus!”




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Próxima postagem: dia 19 de dezembro, segunda-veira.

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