
No último domingo do ano litúrgico, antes de começar o Advento, a Igreja celebra Cristo Rei do universo. São várias as realidades de que se faz memória nessa celebração: a exaltação de Jesus na glória, seu senhorio sobre todas as realidades criadas, seu retorno no fim dos tempos, a ressurreição dos mortos, o julgamento do mundo, a consumação da obra redentora, a eternidade feliz. Essas realidades fazem parte da nossa fé, e nós as professamos todos os domingos ao rezar o “Creio”.
A festa de Cristo Rei foi criada pelo Papa Pio XI, que governou a Igreja de
À essa ímpia tentativa Pio XI opôs a criação da festa de Cristo Rei. Era a forma de lembrar que acima dos reis e senhores deste mundo existe Alguém maior a quem cabe julgar a todos e instaurar seu Reino nos corações de todos e em tudo: esta é uma verdade bíblica fartamente atestada pelo Novo Testamento (Evangelhos, Cartas e Apocalipse).
Pode-se perguntar: por qual motivo a festa de Cristo Rei, com todas as realidades que ela inclui, é celebrada no último domingo do chamado “Ano Litúrgico”, antes do primeiro domingo do Advento?
A resposta é simples. O ano litúrgico faz memória dos acontecimentos salvíficos do Filho de Deus, tomando como ponto de partida a data do seu nascimento enquanto Homem, o Natal. O Natal é preparado pelas quatro semanas do Advento, que dá início ao ano litúrgico. Em seguida, a Igreja vai celebrando os momentos principais da ação salvadora de Jesus, com particular relevo para a Páscoa e o Pentecostes. É, pois, normal que tudo se encerre fazendo memória da glória do Senhor, de seu senhorio universal e de sua futura vinda no fim dos tempos como Juiz do mundo e Prêmio eterno para os que o amaram e serviram.
A festa de Cristo Rei é também uma forma de recordar a todos que o mundo é transitório e o tempo é o espaço de que dispomos para “amar e servir a Deus e ao próximo como a nós mesmos”, pois esta é a finalidade pela qual viemos ao mundo. A festa nos recorda também que não é indiferente viver de qualquer maneira, como se Deus não existisse ou como se Deus fosse um deus cego a quem é fácil enganar.
Sim, Deus é justo precisamente porque é misericordioso: sendo perfeitamente justo, Ele sabe avaliar com precisão a nossa fragilidade e, por isso, nos perdoa facilmente. Há, porém, uma condição: que reconheçamos o mal feito e nos disponhamos a mudar de vida, pois nós também precisamos ser justos e misericordiosos como Ele.
São Paulo nos lembra que fazer da misericórdia divina um pretexto para não sermos justos, isto é, não sermos verdadeiros no esforço de servir a Deus e de praticar seus Mandamentos é cometer um tremendo engano. Perante a Verdade suprema, que é o próprio Deus, só pode ficar de pé sem corar aquele que também procura ser verdadeiro.
Observando bem, no mês de novembro, a Igreja em sua Liturgia nos recorda as realidades últimas que irão acontecer e que nos atingem a todos. Pouco delas se fala... Todos receiam tirar da gaveta da memória eclesial as verdades dos chamados “novíssimos”: morte, juízo, inferno, paraíso. Entretanto, o mês de novembro começa com o Dia de Finados e a festa de Todos os Santos, ou seja, põe-nos diante das realidades da morte e do purgatório, e da felicidade do paraíso. À medida que o mês avança, a Palavra de Deus insiste no juízo de Deus sobre a nossa vida, para encerrar com a festa de Cristo Rei, quando se recorda a última vinda de Cristo e o destino final de cada um, que todos queremos que seja feliz.
Como o papa Bento XVI disse de maneira muito feliz: “O nosso futuro é a vida eterna”. É ao encontro do Cristo que vem que nós caminhamos; por isso, os primeiros cristãos rezavam com freqüência: “Vem, Senhor Jesus”.
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Próxima postagem: dia 26 de novembro, sábado.
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