
A grande característica da maneira como Deus ama é a gratuidade. Seu amor não é interesseiro; Ele ama desinteressadamente, sem esperar retribuição. Quando Deus criou o universo, Ele o teria feito por algum interesse, por alguma vantagem? Não! Do nada, Ele deu início ao nosso mundo maravilhoso unicamente para comunicar a seres criados um pouco de sua beleza, de sua bondade, de seu amor. Deus foi o primeiro “Voluntário”, pois deu o primeiro passo ao encontro das criaturas, em particular do ser humano, para que pudesse participar de sua riqueza, de sua bondade, de sua beleza, de seu amor.
Quando soou a hora da Redenção da humanidade, o Pai, de forma desinteressada, nos entregou seu próprio Filho que, por sua vez, “voluntariamente”, se pôs à disposição para vir ao nosso mundo e realizar a obra salvadora. Em seu percurso salvador, Jesus se “alimentou” constantemente da vontade do Pai, jamais a recusou, mesmo quando, humanamente falando, essa vontade divina Lhe custou suor e sangue e todo o suplício da cruz. A vontade do Pai foi sempre também a vontade do Filho, modelo de todo “voluntariado”.
Da mesma forma, Maria, mãe de Jesus, são José, seu esposo, São João Batista, o precursor, os apóstolos, todos os santos e as santas da Igreja: sempre amaram, viveram e colaboraram de forma desinteressada, voluntária. Nisso consistiu sua grandeza e sua santidade.
Eis aí os modelos de todo e qualquer voluntariado. Para ser voluntário é preciso aprender a amar como os santos amaram, como Jesus amou, como Deus ama. Não se trata de alcançar a perfeição do amor, trata-se de pôr-se a caminho que leva a esse tipo de amor, mesmo que o caminho seja cheio de percalços, mesmo que o nosso amor não seja perfeito.
Em síntese, é fundamental optar sempre pela gratuidade, sem esperar recompensas; pela generosidade, sem aguardar retribuições; pela disponibilidade, sem ansiar por quitações. Que a colaboração brote da profundidade da nossa vontade, do nosso coração generoso, da opção consciente da nossa liberdade: isto significa ser “voluntário/a”.
A Igreja é a “casa da comunhão”, por isso, é também a “casa do voluntariado”. No centro da grande comunhão da eclesial está Jesus, morto e ressuscitado, que, pelo laço do Espírito Santo, mantém unidos a si, em perfeita unidade, todos os que aderem a Ele pela fé e pelo batismo: isso é a Igreja! O “coração” da Igreja é Jesus, Bom Pastor, que, voluntariamente, dá sua vida pelas ovelhas, esperando que também as ovelhas se disponham voluntariamente a dar a vida por Ele.
“Dar a vida” não significa sempre morrer, mas “usar a própria vida” a fim de prestar aos outros o serviço do amor. Esse “dar a vida” se traduz em disponibilidade, solidariedade, generosidade, prontidão, renúncia, sacrifício, atenção aos mais fracos... Esse “dar a vida” também exige vontade explícita de não esperar recompensas, não procurar elogios, não pretender dominar, não fazer concorrência aos demais a fim de sobressair... Enfim, todo tipo de “vida” supõe igualmente um tipo de “morte”. Não pode haver autêntico voluntariado, se também não existir uma declaração de morte a tudo o que se opõe à generosa doação de quem deseja realmente servir “à maneira” de Jesus.
Graças a Deus, o voluntariado cresce tanto na Igreja quanto na sociedade em geral. Um bom sinal! Ser voluntário/a é uma forma de fazer desabrochar a vocação originária do ser humano, pois não fomos criados como indivíduos “solitários”, mas como humanidade “solidária”. O individualismo é a morte do ser humano tal como Deus criou, “à sua imagem e semelhança”. Todo aquele que não desenvolve em sua vida o “sentido da vida” – que é o de ser solidário – caminha na contramão da vida: não vive; vegeta, morre como ser humano. A solidariedade é vida!
O voluntariado faz da solidariedade e da disponibilidade gratuita suas bandeiras de luta por um mundo mais humano, mais justo, mais fraterno. Há mil maneiras de ser voluntário, na sociedade civil e da Igreja. Não se omita! Não gaste sua vida em inutilidades, faça dela um monumento de solidariedade. Não se preocupe com a recompensa: ela está garantida. Se você gastar sua vida para você mesmo, vai perdê-la; se a gastar em favor dos outros, terá a vida eterna (cf. João 12,25): essa é a recompensa. Promessa de Jesus!
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Próxima postagem: dia 14 de novembro, segunda-feira.
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