segunda-feira, 29 de agosto de 2011

PADRINHOS E MADRINHAS: COMO DEVEM SER?



A primeira “escola da fé” para as crianças, os adolescentes e os jovens deveria ser a própria família, e os pais, seus primeiros “catequistas”. Quando a fé é semeada e cultivada nos corações dos filhos pequenos é quase certo de que, na idade adulta, eles seguirão o caminho do Evangelho.




Infelizmente não é o que acontece em grande número de casos: pais despreparados, famílias desestruturadas ou sem formação cristã e sem participação na vida da Igreja fazem com que os filhos cresçam alheios à fé e à prática religiosa.




A fé recebida no batismo e confirmada na crisma deve ser cultivada, cuidada, fortalecida, caso contrário, ela arrefece e, às vezes, acaba morrendo. São tantos os casos... Já é difícil os pais cumprirem essa missão evangelizadora para com os próprios filhos; imagine quando não a cumprem...




Tenha presente também que evangelizar os filhos não significa somente “ensinar-lhes” os conteúdos doutrinais da fé (aprender o catecismo). A evangelização, de modo especial, consiste no exemplo dos pais e da família, na vivência da fé em casa, na participação da vida da comunidade eclesial, na catequese, na recepção dos sacramentos da Igreja... Onde, porém, encontramos hoje famílias assim? Não é que não existam, mas são poucas.




É aqui que deveriam entrar em ação os padrinhos e madrinhas do batismo e da crisma. Eles têm dupla missão: quando a família existe de fato e cumpre seu papel cristão cabe aos parinhos e madrinhas ajudar os pais e familiares dos seus afilhados a educá-los na fé; quando, porém, a família falha ou não tem condições cabe aos padrinhos e madrinhas substituir os pais e familiares para educar seus afilhados na fé.




Se esta é a missão, como devem ser os padrinhos e madrinhas? É preciso que sejam bons cristãos, pessoas que dão testemunho de seguir o Evangelho de Jesus, gente que vive a própria fé, que participa da vida da Igreja, que se aproxima dos sacramentos, que aprecia a oração, que tem uma vida familiar de acordo com a Palavra de Deus.




Por aí você vê que ser padrinho ou madrinha não é questão de ser parente, amigo, vizinho ou pessoa a quem se deve algum favor. É preciso pôr-se desde o ponto de vista da Fé e tomar consciência de que os padrinhos e as madrinhas existem para ajudar os afilhados a crescer na fé, a amadurecer na fé. Ora, como isso pode acontecer, se os padrinhos e as madrinhas não tiverem fé, seguirem outra religião, viverem vida familiar não correspondente à Palavra de Deus, não participarem da vida da Igreja, andarem longe do Evangelho e do próprio Deus?




Você é padrinho, você é madrinha? Saiba que tem, diante de Deus e da Igreja, primeiro, a responsabilidade de procurar levar uma vida segundo o Evangelho e, depois, a missão de ajudar ou substituir os pais na educação da fé do seu afilhado ou da sua afilhada. É assim que a Igreja pensa a respeito dos padrinhos e madrinhas. Se não for assim, não tem sentido ser padrinho ou madrinha.




É útil também recordar o que a lei da Igreja estabelece a respeito dos padrinhos e madrinhas do batismo e da crisma: que eles tenham completado 16 anos, sejam católicos, crismados e já tenham feito a Primeira Comunhão. “Quem é batizado e pertence a uma comunidade eclesial não-católica só seja admitido junto com um padrinho católico, e apenas como testemunha do batismo” (Código de Direito Canônico, c.874,§ 2).




Por fim, note que os assim chamados padrinhos e madrinhas do casamento não são de fato padrinhos e madrinhas, mas simples “testemunhas”: terminado o casamento, eles não tem mais nenhuma função a desempenhar.




Conheço muito bem as dificuldades práticas que os párocos encontram nessa matéria. Há casos difíceis de resolver a fim de evitar que as pessoas acabem se afastando ainda mais da Igreja e do próprio Evangelho. Por outro lado, não há dúvida de que é fundamental investir sempre mais numa catequese adequada e estimular os católicos a viverem com coerência a vida cristã.



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Próxima postagem: dia 4 de setembro, domingo.


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